Morreu o Torcato! Viva o Torcato!...

DN, 22.05.2008


Público, 22.05.2008
Chegou à vida quase dois anos antes de mim, na mesma cidade (Braga). Chegou ao Liceu, ao mesmo Liceu Nacional Sá de Miranda, dois anos antes de mim. Chegou a Coimbra e à Universidade dois anos antes de mim. Chegou ao Expresso também antes de mim. Viveu sempre à minha frente e morreu também à minha frente, numa idade em que ninguém pensa morrer. Nunca fomos, propriamente, amigos, porque nunca partilhámos intimidades. Mas tínhamos quase tudo em comum, para além da cidade natal e das memórias que cruzavam, desde a infância, os nossos destinos. Hoje, quando soube que o Torcato morrera, procurei refúgio ou abrigo em Handel. E reli as últimas palavras de circunstância que ele publicou na última edição da Notícias Sábado...


Notícias Sábado, 17.05.2008
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Acabei de chegar do velório do corpo do Torcato, na igreja de Campo de Ourique. Conheci-o no jornal A Capital e trabalhei com ele na mesma secção editorial "A Grande Lisboa". Depois do jornal fechar, encontrei-o em três ou quatro jantares, organizados pela equipa daquela secção. Retenho dele a imagem que David Lopes Ramos descreveu: era um homem de excessos, mas, no entanto, brilhante, leal, corajoso e frontal. Com ele morre também um estilo de jornalismo que foi engolido pela voragem dos novos tempos. Já existem poucos sobreviventes dessa escola.
Posted by: Alexandre de Castro | maio 22, 2008 05:37 PM