Improviso para auto-retrato...
Sou do género compulsivo
torturo as palavras
até que elas digam exactamente o que eu quero
e não me canso nunca
de ouvir o mesmo concerto
a mesma ária
a mesma canção
ou de ler o mesmo autor
ou de ver o mesmo filme
ou a mesma árvore
sinto como imperativo categórico
que devo à beleza em que caibo
essa fidelíssima conformidade
que resiste a todas as modas e tentações
e entendo-me melhor com as pessoas
que não correm atrás do que será
porque são felizes assim.
Ademar
13.05.2008