Quem quiser penetrar o mundo do poeta, tem de abdicar do seu próprio mundo...
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A poesia é a terceira margem do rio de cada um. Para quem nela se descobre e se desvenda não há mais retrono possível - a poesia gruda-se à pele interior da alma, projectando-a para a grande viagem em direcção a uma identidade e a um destino. O poeta é, por isso, um ser único e o universo todo. Singular, ele só se reconhece no plural de si próprio, de todos os sentidos que o denunciam. O poeta é o criador de um mundo à sua medida. E não tem outro. Quem quiser penetrar o mundo do poeta, tem de abdicar do seu próprio mundo.