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Diário em forma de silêncio (79)...

Eu sei que estranhavas. Não precisavas de abrir a porta, eu entrava sempre pela fechadura. Entrava e mal me fazia anunciar. Nenhuma mulher entra assim na casa do homem que pratica. Entrava eu. Nada de beijos cinematográficos. No minuto anterior, não estava. No minuto seguinte, já estávamos os dois, como se nada, entretanto, tivesse acontecido. Era o estilo da minha inibição, reserva (creio) que nunca chegaste a entender. Reserva de gestos, reserva de sentimentos. Disse-te muitas vezes, nunca te enganei: não havia paixão no olhar que, através de mim, te procurava. Apenas conforto. E delicadeza. A mão que me deste... era a mão que eu sempre buscara. A mão e o braço que a prolongava. Que tantas vezes, carinhosamente, me almofadaram. O mais foi retribuição...

C.A.

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