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Diário em forma de silêncio (66)...

Repito imagens. Imagens com cheiro. Continuo a cheirar-te, quando te vejo e reconheço em mim. Talvez fosse suposto que te esquecesse. Que te apagasse. Seria esquecer e apagar uma parte de mim. E as mulheres não se destroem assim. O tempo não passa por elas, não passa por nós, não passa por mim. O passado foi sempre ontem e ontem… é quase hoje. Continua a ser-nos. Continua a ser-me. Nunca aprenderei a conjugar os advérbios de tempo. Nunca saberei dizer que morreste. Que talvez tenhas morrido.

C.A.

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