Como a escola, meticulosamente, mata os poetas e os leitores...
Costumo dizer que sobrevivi como leitor (e como poeta) à leitura, análise e interpretação de "Os Lusíadas". Sobrevivi, confesso, porque trapaceei. Sem os professores saberem, li "Os Lusíadas"...em prosa.
O poeta gaúcho Mário Quintana (1906-1994) não fazia por menos: “quando alguém pergunta a um autor o que este quis dizer, é porque um dos dois é burro”. Tenho, efectivamente, para mim que a poesia não se ensina, não se explica, não se interpreta. “Cuidado! (dizia ainda Quintana) A poesia não se entrega a quem a define”.
Tenho um texto publicado (“A poesia é a terceira margem do rio de cada um”), em que vagabundeio sobre os modos como a escola, meticulosamente, assassina os poetas (e os leitores), cadaverizando-os. Recuperarei seguidamente alguns excertos desse texto.