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Antologia poética (373)...

Improviso para náufragos...

Se os teus olhos adivinhassem os meus olhos
quando me lês
se o teu desejo fosse mais do que uma ínfima parte do meu desejo
se as nossas mãos se cruzassem
e eu pudesse ainda tocar-te
se não voltasses a dizer-me
que já morreste
ou que nunca chegaste a nascer
se o medo não fosse a única palavra do teu breviário
e finalmente sorrisses para dentro
os nossos dias não teriam o cheiro ácido deste silêncio
que nos naufraga.

Ademar
30.06.2006

publicad em abnoxio3.blogs.sapo.pt

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