Não dispareis sobre o pianista adolescente!...

Domingos António será um pianista promissor. Pianistas promissores é o que há mais no planeta (até em Portugal). E ainda bem. Antes pianista do que vigarista...
Mas pianistas geniais, compositores ou não, são raros. Liszt, Chopin e Rachmaninoff, segundo todos os relatos, pertenceram à espécie. Rubinstein, Paderewski, Horowitz e Richter, também...
Dos vivos, prefiro não falar...
Domingos António supõe-se, narcisicamente, um predestinado. Ouvi-o hoje no "Pessoal e Transmissível", da FSF, não ao piano, mas ao blá-blá, e vomitei a presunção. O rapazinho devia ter um agente ou um tutor que o vetasse ao falatório, ainda por cima, numa língua que ele mal domina. Assaz modestamente, ele acha-se um "artista" genial e não tem dúvidas de que os terráqueos lhe estenderão, rapidamente, um tapete para a eternidade. Nasceu e viveu nos States, mas não tem saudades. Estudou na Rússia, mas abomina a Rússia e jura que jamais voltará. Vive em Portugal, um "país em desagregação", diz ele, e sonha emigrar para Espanha ou para parte nenhuma, onde, talvez, o façam príncipe ou rei.
Até pode ser que a genialidade lhe tenha batido à porta. Mas podia fazer um pouco mais por ela, antes de condenar às trevas os contemporâneos e passar tão diligentemente por idiota. É que há presunções nascidas no umbigo que piscam o olho ao diagnóstico da esquizofrenia...
E nem todos os esquizofrénicos alcançam, ao piano, a eternidade...
Novembro.2005
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