Dicionário das palavras que eu amo (42)...
FAMA - Durante muitos milénios, a FAMA foi póstuma. A guerra e a morte faziam a FAMA de muito poucos e numa área territorial muito restrita.Depois, a FAMA começou a confundir-se com a história. Só muito mais tarde, com a imprensa e a circulação da informação, a FAMA deixou de ser apenas póstuma. Hoje, com a globalização instantânea da informação, até um nascituro ou um recém-nascido é famoso. A televisão garante a FAMA a qualquer irrelevância. Por vezes, imagino-me regressado a uma idade sem livros, sem jornais, sem televisão, sem rádio, sem internet. Como viveríamos, se o nosso conhecimento não fosse além dos horizontes que os nossos olhos alcançassem?... De vez em quando, pelo menos, deveríamos, higienicamente, fazer esse exercício, para aprendermos a viver connosco e com aqueles que nos rodeiam.
INTIMIDADE - Concordo absolutamente com Borges: "Não aconselho ninguém a ser famoso; o melhor é ser secreto". O gozo da INTIMIDADE reclama discrição e pudor. É preciso entrarmos, silenciosamente, em nós para nos darmos conta. A exuberância das janelas e dos espelhos distrai-nos e diminui-nos.
recuperado parcialmente de abnoxio2.blogs.sapo.pt
Comments
abomino a fama e a exibição. e logo eu que sou uma acérrima defensora da intimidade e privacidade.
Posted by: cândida | outubro 1, 2006 05:55 PM