Cunhas, cunhas, cunhas...
Tenho um problema insolúvel com o país e esse problema chama-se, na linguagem que todos os portugueses entendem, cunha. Parece que é um tique socialmente congénito, de que jamais nos curaremos: quase toda a gente, em Portugal, acha que o Estado existe, em primeiríssimo lugar, para empregar os seus filhos, parentes, amigos, protegidos ou encomendados...
Abre-se um concurso e logo aparecem os abutres, os "influentes". Medem todos pela sua própria bitola e nem chegam a ficar ofendidos quando, sonoramente, os mandamos à merda. É nestas alturas que eu tenho a certeza de que a corrupção, em Portugal, está generalizada. Só pode estar. Os "influentes" acham que todas as decisões têm um preço e são determináveis por quem der mais ou tiver mais poder...
Dói-me dizer isto, mas, civicamente falando, os portugueses continuam a comportar-se, relativamente ao Estado, como negreiros e como chulos. Tenho vergonha por eles e tenho vergonha por mim. Isto não é uma nação - é uma expiação.
Setembro.2005
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