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Antologia poética (135)...

Improviso crepuscular...

Um whisky talvez no fundo de um copo transparente
que não discute marca nem procedência
um cigarro por queimar
um daqueles que matam
entre a esterilidade e a disfunção eréctil
o fumo do clarinete
no horizonte do jazz
e a memória do bailado das palavras
na voz incendiada do Fernando Alves
ele escreveria incendiária
há um sopro de poesia selvagem
nesta trôpega desordem dos dias
que caminham para o crepúsculo
hoje já não espero mais notícias de Bogotá
senão pela posta-restante
abrirei o livro esquecido de mim
numa página qualquer
e retomarei o enredo
exactamente no ponto em que
a vírgula me perdera.

Ademar
11.11.2005

publicado em abnoxio2.blogs.sapo.pt

Comments

agora a sério. já alguém que te disse que és poeta?
gosto muito da forma como rematas o poema.

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