Antologia poética (124)...
Ainda no rasto de Franz Kafka...
Criança,
perguntavam-me se acreditava em Deus,
um só Deus
(assim maiusculizado).
Eu pensava para mim que não,
mas respondia que sim...
(Emprestava a voz
ao que todos esperavam que eu dissesse.)
Cidadão,
perguntam-me agora à porta da justiça dos homens
se juro dizer a Verdade,
toda a Verdade
(assim maiusculizada).
Eu penso para mim que a verdade tem muitas narrativas,
mas respondo que sim...
(Continuo a emprestar a voz
ao que todos esperam que eu diga.)
Nas igrejas e nos tribunais,
o sagrado não convoca a liberdade.
Profano-me para entrar.
Ademar
24.10.2005
publicado em abnoxio2.blogs.sapo.pt
Comments
eu estou tão profanada que procuro o sagrado. mas sou ateia.
Posted by: cândida | outubro 1, 2006 06:19 PM