Natureza imortal...
descubro-me:
em veneza
vi uma rosa nocturna que descia o canal
uma estaca vagamente vegetal
iria para sul?
Ana Saraiva
descubro-me:
em veneza
vi uma rosa nocturna que descia o canal
uma estaca vagamente vegetal
iria para sul?
Ana Saraiva

Gonçalo M. Tavares, 1

Público, 01.03.2008
Quando um secretário de estado censura, publicamente, a actuação política (ainda que no passado próximo) de um colega ministro... que deverá fazer um primeiro-ministro (mais a mais, quando ele próprio fazia parte também do governo censurado)?
Duas hipóteses.
Hipótese 1
Cruza os braços e assobia para o ar, fingindo que não é nada com ele ou que ninguém percebeu.
Hipótese 2
Dispensa liminarmente os serviços do secretário de estado, ainda que ele possa ser seu amigo.
Um primeiro-ministro que assobie, covardemente, para o ar e faça de conta... só poderá merecer o desprezo do país...
Um primeiro-ministro que afirme a sua autoridade... merecerá, pelo menos, o respeito dos seus ministros.
Chegou a hora de José Sócrates mostrar o que vale como primeiro-ministro.
Adoro te devote, latens Deitas,
Quae sub his figúris vere látitas
Tíbi se cor méum tótum súbjicit
Quia te contémplans tótum déficit.
In crúce latébat sola Deitas,
At hic látet simul et humánitas
Ambo tamen crédens atque cónfitens,
Péto quod petívit látro paénitens.
O memoriále mórtis Dómini,
Pánis vívus vítam praéstans hómini,
Praésta méae ménti de te vívere,
Et te ílli semper dulce sápere.
Jesu, quem velátum nunc aspício,
Oro fiat illud quod tam sítio
Ut te reveláta cérnens fácie,
Vísu sim beátus túae glóriae. Amem.
Os meus deuses têm a profundidade de entendimento
de todas as crianças que se recusam a crescer
são deuses baratos
não fazem milagres
nem cobiçam rebanhos
os meus deuses odeiam altares e sacerdotes
e igrejas onde não ressoe o gregoriano
esse convite intemporal à luxúria
os meus deuses gostam de se tocar
e não se lhes embaraça o prazer nem o pudor
na estética ritual do swing
lêem Caeiro em vez de jornais ou revistas
e vício por vício preferem a pornografia à idolatria
os meus deuses serão tão absurdos
quanto os vossos
mas não têm pressa
porque sempre souberam
que morrerão comigo.
Ademar
15.05.2008

Sábado, 15.05.2008
Um excelente tema para uma sondagem nacional ou para um concurso televisivo: o português mais odiado, a portuguesa mais odiada...
A embriaguez do ódio não demove, mediaticamente, todos os pudores?
Por que esperam?...

DN, 15.05.2008
A gramática, o bom senso e o rigor continuam a atrapalhar muitos jornalistas portugueses. Felizmente, ainda há, neste país, agrupamentos de escolas que recrutam professores, "recorrendo à flexibilidade de horários"...

Público, 15.05.2008
As multidões (os rebanhos humanos) são sempre perversamente infantis...
O sonho secreto de todos os homens é escreverem um livro sagrado...
Todos os livros sagrados efabulam a infância da humanidade...
Este jogo de cartas não conhece regras, nem tempo...
Nasceu em Cremona (a mesma Cremona de Stradivarius), provavelmente, no dia 15 de Maio de 1567. Se tivéssemos de atribuir a paternidade da ópera e do bel canto a alguém... seria, seguramente, a Monteverdi. A ouvir, sempre...

DN, 15.05.2008
Estão todos a olhar para o boneco, enquanto Sócrates, aparentemente, bate as delicadas asinhas para tentar chegar mais depressa ao balão. Repare-se no olhar embevecido do secretário de estado das comunidades. Espero que Mesquita Machado não fique com ciúmes...
Não sabeis quem é, na fotografia, o dito secretário de estado? Não fiqueis preocupados: ele próprio também não sabe...
claro que nos mataremos todos uns aos outros
assim como nos têm amado
a vida é um gesto
mal pensado
Ana Saraiva


Ilustração, 01.05.2008

Jorge Barradas, Ilustração, 16.04.1928


Alexandre O'Neill, No Reino da Dinamarca

Público, 01.03.2008
Quando um secretário de estado censura, publicamente, a actuação política (ainda que no passado próximo) de um colega ministro... que deverá fazer um primeiro-ministro (mais a mais, quando ele próprio fazia parte também do governo censurado)?
Duas hipóteses.
Hipótese 1
Cruza os braços e assobia para o ar, fingindo que não é nada com ele ou que ninguém percebeu.
Hipótese 2
Dispensa liminarmente os serviços do secretário de estado, ainda que ele possa ser seu amigo.
Um primeiro-ministro que assobie, covardemente, para o ar e faça de conta... só poderá merecer o desprezo do país...
Um primeiro-ministro que afirme a sua autoridade... merecerá, pelo menos, o respeito dos seus ministros.
Chegou a hora de José Sócrates mostrar o que vale como primeiro-ministro.
Há quem viva de ler as mãos
e quase sempre se perca em todas
como se nenhum destino
tivesse livros para contar
ou o silêncio inverso
podia começar assim uma história
de infortúnio profissional
no preciso instante em que a noite se despisse
e todos os livros já se tivessem deitado
e adormecido
para não acordarem mais
que fadas diz-me
serviriam então a madrugada
ao balcão da pastelaria?
Ademar
14.05.2008
Registo e reproduzo seguidamente as palavras que Sócrates terá dito hoje, aos jornalistas, na Venezuela:
"Quero fazer-vos uma declaração sobre o facto de ter fumado no avião. De facto fumei, com o ministro da Economia, enquanto conversávamos, mas no convencimento de que se podia fumar, porque assim sempre aconteceu nas outras viagens anteriores".
"Estava convencido que não estava a violar nenhuma lei nem nenhum regulamento. Infelizmente há essa polémica em Portugal e eu quero lamentar essa polémica. Se por algum motivo violei algum regulamento, alguma lei, lamento e peço desculpa, não voltará acontecer".
Registo a explicação e o pedido de desculpa. Entendo que Sócrates, agora, procedeu bem. E, por isso, peço à ASAE que releve a distracção do primeiro-ministro. Temos de ser todos uns para os outros....


Público, 14.05.2008
Esta é a manchete da edição de hoje do Público. Confesso algumas perplexidades:
1- Que tem a foto a ver com o texto que ilustra?
2- Por que é que a Lei do Tabaco, supostamente, não é cumprida nos voos oficiais de Sócrates e Cavaco?
3- Será que antes da publicação e entrada em vigor da Lei do Tabaco, era permitido fumar nos aviões?
4- Com que autoridade acrescida é que dois constitucionalistas são chamados a pronunciar-se sobre o incumprimento ou o âmbito de aplicação de uma lei ordinária?
5- Por que precisará Chávez de tradutor ou tradutora para perceber Sócrates?...

A notícia vem hoje estampada em vários jornais da paróquia. Sócrates e Pinho, entre outros, fumaram descontraidamente no avião da TAP que os transportou, anteontem, à Venezuela, com a conivência do supervisor do voo. Portugal é isto e, pelos vistos, não há nada a fazer...

Público, 01.03.2008
Quando um secretário de estado censura, publicamente, a actuação política (ainda que no passado próximo) de um colega ministro... que deverá fazer um primeiro-ministro (mais a mais, quando ele próprio fazia parte também do governo censurado)?
Duas hipóteses.
Hipótese 1
Cruza os braços e assobia para o ar, fingindo que não é nada com ele ou que ninguém percebeu.
Hipótese 2
Dispensa liminarmente os serviços do secretário de estado, ainda que ele possa ser seu amigo.
Um primeiro-ministro que assobie, covardemente, para o ar e faça de conta... só poderá merecer o desprezo do país...
Um primeiro-ministro que afirme a sua autoridade... merecerá, pelo menos, o respeito dos seus ministros.
Chegou a hora de José Sócrates mostrar o que vale como primeiro-ministro.
Sou do género compulsivo
torturo as palavras
até que elas digam exactamente o que eu quero
e não me canso nunca
de ouvir o mesmo concerto
a mesma ária
a mesma canção
ou de ler o mesmo autor
ou de ver o mesmo filme
ou a mesma árvore
sinto como imperativo categórico
que devo à beleza em que caibo
essa fidelíssima conformidade
que resiste a todas as modas e tentações
e entendo-me melhor com as pessoas
que não correm atrás do que será
porque são felizes assim.
Ademar
13.05.2008
A minha irmã, tão duramente castigada pelo cancro na mama, ficou indignada com a ligeireza simbólica (semiótica) deste vídeo publicitário e com razão. Espero que ninguém coloque as meninas do anúncio no contentor, para reciclagem...

Paulo Teixeira Pinto e Jardim Gonçalves foram hoje ao Parlamento e, com o ar mais seráfico da hagiologia católica (ou monárquica), disseram aos deputados que não sabiam de nada (offshores, perdão de dívidas, ocultação de dados...) e estavam de consciência tranquila.
Cristo, não há dúvida, deixou-se morrer na cruz errada...




Há uma certa diferença entre vender por grosso e vender a retalho. Spencer Tunick vende por grosso. Oliviero Toscani vende geralmente a retalho. Confesso que continuo a preferir a mercearia de bairro às grandes superfícies. Estas fotos de Tunick, feitas anteontem no Estádio do Prater, em Viena, não conseguem acender-me o olhar...

DN, 13.05.2008
Confesso que não entendi a primeira página da edição de hoje do DN. Para além dos 23 suspeitos, dever-me-ei também sentir ameaçado por Angola?!...




DN, 13.05.2008
Há mais de 50 anos que estas e outras tábuas congéneres de sedução (e salvação) circulam em livros e revistas e jornais. Desde Dale Carnegie, pelo menos, que toda a gente sabe como fazer amigos, como influenciar pessoas, como evitar preocupações, como falar em público, como desfrutar da vida, etc e tal. Só falta mesmo praticar...


Mário Cesariny, Manuel de Prestidigitação

Público, 12.05.2008

Público, 01.03.2008
Quando um secretário de estado censura, publicamente, a actuação política (ainda que no passado próximo) de um colega ministro... que deverá fazer um primeiro-ministro (mais a mais, quando ele próprio fazia parte também do governo censurado)?
Duas hipóteses.
Hipótese 1
Cruza os braços e assobia para o ar, fingindo que não é nada com ele ou que ninguém percebeu.
Hipótese 2
Dispensa liminarmente os serviços do secretário de estado, ainda que ele possa ser seu amigo.
Um primeiro-ministro que assobie, covardemente, para o ar e faça de conta... só poderá merecer o desprezo do país...
Um primeiro-ministro que afirme a sua autoridade... merecerá, pelo menos, o respeito dos seus ministros.
Chegou a hora de José Sócrates mostrar o que vale como primeiro-ministro.

Devo o conhecimento deste cartaz ao Gabinete de Comunicação da Câmara Municipal de Braga. Agradeço o convite, mas não danço...
Ibéria
nove de dezembro de dois mil e noventa e dois
faço hoje anos
cento e quarenta
tenho dezasseis carcinomas
dois desfibriladores internos
um pulmão e dois olhos artificiais
que não vêem por mim
e já perdi a conta às próteses e ortóteses
ontem
pela décima terceira vez
nos últimos trinta anos
pedi ao governador regional de saúde
autorização para morrer
pedido automaticamente indeferido
ao abrigo do artigo décimo sexto número dois
da Directiva de Sobrevivência Europeia
o cansaço não é motivo atendível
um amigo sugere-me em alternativa
que cancele electronicamente todos os seguros de saúde
ou tente sair do hospital pela janela
nem sequer lhe ocorreu
que já não tenho pernas.
Ademar
12.05.2008
meu caro esperto, parabéns!
no peido de desprezo
e no sorriso de gala
vê-se como vai à frente na vida!
você casa a causa com a consequência
e ainda recebe o dote!
o que está entre o começo e o fim?
a corda de pontas unidas em nó!
os seus dedos são hábeis
e há tanto pescoço frágil...
parabéns, merecidos!
você atingiu a cúpula da vida
merece um riso farto
e a luz de tudo o que brilha
e o que brilha é ouro!
parabéns, a sério!
mas, antes de me ir embora
gostava de lhe ler as linhas da mão
descanse, é coisa boa!
não as esconda nos bolsos!
não se vá embora!
é uma boa sina, de certeza!
volte, não seja supersticioso,
de onde você está
nunca se vê a falha
dê-me a mão
Ana Saraiva
os espelhos caíram
e com eles os ídolos e os pregões
resta o vazio
e o vazio é
uma pedra e um caminho
talvez um vislumbre de céu
e umas gotas de água
e com elas o aviso
de todas as cores
é pouco
é tudo
Ana Saraiva

José Dias, Memórias do cidadão José Dias
O Zé não conta, mas tem piada (na altura, claro, íamos morrendo de vergonha) e apetece-me agora recordar.
Na reunião com o CDS, um dos representantes do insigne partido tentou, durante meia hora, convencer-nos da bondade e da justeza da corrupção, alegando que, na sociedade moderna, não era possível governar de outro modo. E que era normal que os cidadãos tentassem comprar os favores dos eleitos e que os eleitos, a troco de uma justa compensação, se deixassem corromper...
Deve dizer-se, em abono da verdade, que o líder da concelhia local do CDS ficou, na altura, tão atrapalhado ou estuporado quanto nós...
Lembras-te, Zé?...

DN, 12.05.2008
Eu sei que, em Maio, nas vésperas das aparições e das correlativas peregrinações... tudo é de esperar dos céus, até que eles nos caiam em cima. Mas o DN conseguiu hoje surpreender-me: que serão aves-marias? Haverá também aves-fátimas? Aves-cerejeiras ou aves-azinheiras? Aves-lúcias? Aves-policarpas? Aves-ortigas? Aves-raios-que-os partam?...
Eu sei que, por conta de uma ortografia inovadora ou talvez miraculosa, ave-marias pode escrever-se aves-marias. Mas chutá-las para o céu, senhor? Será preciso chegar a tanto?...
Seja como for, se o cardeal dos santinhos e das santinhas exige um novo milagre para canonizar os pastorinhos, eu invoco este para apoiar a piedosa causa. Ou será que, para a contabilidade do vaticano, os milagres ortográficos não contam?...

DN, 12.05.2008


DN, 12.05.2008
Conflito de interesses? Apenas uma questão de inteligência política, de bom senso e de decoro.
Quem não quer ser ridicularizado, não se oferece ao ridículo!...
Já temos, neste país, patetas que cheguem...

Às 18:00 horas.

Nuno Júdice, Pedro, Lembrando Inês

Público, 01.03.2008
Quando um secretário de estado censura, publicamente, a actuação política (ainda que no passado próximo) de um colega ministro... que deverá fazer um primeiro-ministro (mais a mais, quando ele próprio fazia parte também do governo censurado)?
Duas hipóteses.
Hipótese 1
Cruza os braços e assobia para o ar, fingindo que não é nada com ele ou que ninguém percebeu.
Hipótese 2
Dispensa liminarmente os serviços do secretário de estado, ainda que ele possa ser seu amigo.
Um primeiro-ministro que assobie, covardemente, para o ar e faça de conta... só poderá merecer o desprezo do país...
Um primeiro-ministro que afirme a sua autoridade... merecerá, pelo menos, o respeito dos seus ministros.
Chegou a hora de José Sócrates mostrar o que vale como primeiro-ministro.
Não ofuscas nem arranhas nos olhos
e se bem me lembro
nunca me fizeste uma pergunta
nem um pedido
nem uma promessa
há pessoas que se pesam tanto a si próprias
que até parecem levitar entre as estrelas
nada em ti é falso ou redundante
ou postiço
cabes sempre nas palavras que dizes
e poupas nos gestos
para que nenhum te atraiçoe
há quem não entenda o rigor da integridade
ignorando que não é outra coisa
honestidade.
Ademar
11.05.2008


JN, 11.05.2008


JN, 11.05.2008

JN, 11.05.2008
Os pais portugueses fazem tudo, tudo, tudo... para que os filhos se entretenham o mais possível entre eles...
Chama-se a isto: educação para a autonomia (comunicacional)...

Público, 11.05.2008
Não lhe dei ouvidos e lixei-me...

24horas, 11.05.2008
Sempre fui de opinião que o casamento não devia ser consentido a toda a gente...
De resto, nunca percebi por que é mais fácil casar do que tirar a carta de condução de ligeiros...


24horas, 11.05.2008
Ele sabe que "a maioria dos homens é bastante incompetente a nível da sexualidade". Infelizmente, não nos diz como descobriu...



Diário do Minho, 11.05.2008
"A Igreja necessita das vossas interpelações para estar nos dias de hoje; vós necessitais da Igreja para ter sentido na vida."
Andam a dizer isto, ritualmente, há não sei quantas décadas, muito especialmente, depois do Vaticano II, mas não tiram o barrete, não despem os purpúreos enfeites, nem arrumam de vez o hissope. Depois admiram-se que a juventude, circo por circo, prefira outros palcos, outros concertos e outras vozes...
Digo: outros sentidos...

24horas, 11.05.2008

O Diário do Minho (órgão da Arquidiocese de Braga), na sua edição on-line, anda a convidar os leitores a responder à seguinte questão: "Braga deve erguer uma estátua ao Cónego Melo?".
As hipóteses de resposta são três:
- Não
- Sim, num local público da cidade
- Sim, num espaço da Igreja
Até ao passado dia 6, como se poderá confirmar aqui, o DM já contabilizara 5177 respostas. Poderia pensar-se que, sendo o DM lido, sobretudo, por católicos da Arquidiocese de Braga (profissionais ou não), o resulta