Cavalo à solta, como diria Ary dos Santos!...
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Correio da Manhã, 09.02.2010
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Correio da Manhã, 09.02.2010

Correio da Manhã, 09.02.2010


(...)
i, 09.02.2010



Chamou os jornalistas para lhes dizer umas pilhérias e, finda a alocução, pôs-se a andar, antes que lhe fizessem perguntas de "buraco de fechadura". Quando penso que esta criatura é o primeiro-ministro de Portugal... nem consigo, por vergonha, olhar-me ao espelho. Que pecados estaremos a expiar, para merecermos este castigo?...

DN, 09.02.2010
Há muitos métodos de tortura de crianças. Este será, apenas, o mais cristão. Na Europa, é usado há mais de quinhentos anos. E com sucesso: que o diga a Santa Inquisição!...




i, 08.02.2010
A igreja católica é um circo demencial. Ponto, sem parágrafo...

Bertolt Brecht, Poemas (versão portuguesa de Paulo Quintela)
Agradeço à Helena Berardo a magnífica sugestão. Kusturica e The No Smoking Orchestra não fariam melhor e mais vibrantemente!...

A primavera tem sempre o relógio atrasado
na memória do tempo
floriremos sim
quando a vida retomar o seu antiquíssimo enredo
e renascermos de novo
então os pássaros emigrarão
nos nossos braços
e serão tantos
que nem sobrarão palavras
para dizer o vento.
Ademar
08.02.2010



Vi por acaso. Fiz zapping e aterrei no Belenenses-Braga, no momento em que o árbitro, um tal Bruno Paixão, marcava um penálti contra o Braga e expulsava, na sequênca do lance, o defesa "infractor". As imagens são terríveis: o árbitro enganara-se. A verdade é que o defesa do Braga chegara primeiro à bola e não havia lugar para a marcação do penálti e para a consequente expulsão. Quis o destino que o guarda-redes do Braga defendesse o penálti e, mesmo reduzido a dez jogadores, o Braga ganhasse o jogo. Mas nem quero imaginar o levantamento de rancho se o Braga tivesse empatado ou perdido o jogo. Já nem Ratzinger teria coragem para vir a Portugal, em Maio...

Tomás Borba & Fernando Lopes Graça, Dicionário de Música


DN, 08.02.2010


Correio da Manhã, 08.02.2010


Correio da Manhã, 08.02.2010

Público, 08.02.2010

Ruy Belo, Homem de Palavra (in Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI)
A casa
essa casa precisa e exacta
sarcófago de gestos incinerados
no forno de pedra há muito arrefecido
a água de todas as minas
que a atravessam ainda
o plátano que conduz o olhar
em direcção à chuva
e todos os sacrários abandonados
nos altares da memória
que ainda tropeça no tempo
a casa
essa espécie de emanência do corpo
em todas as escadas íntimas
que a sobem e a descem
e tantas chaves
para portas que já não abrem
e tantas janelas
fechadas por fora
como um pensamento engradeado
a casa
essa casa precisa e exacta
labirinto de muros que escorrem lágrimas
mas não como se chorassem.
Ademar
07.02.2010

24horas, 07.02.2010

24horas, 07.02.2010


Notícias Magazine, 07.02.2010


Correio da Manhã-Domingo, 07.02.2010

(...)

Correio da Manhã, 07.02.2010


Notícias Sábado, 06.02.2010
Às segundas e quintas, o ministro das Finanças exige contenção de gastos, fala de "credibilidade" e acena com o monstro do défice. Às terças, quartas, sextas, sábados e domingos, o primeiro-ministro brinca ao glamour e faz-nos pagar a todos as suas vaidades propagandísticas. Este almoço com mulheres, organizado há dias em S.Bento, é mais um exemplo indecoroso de como Sócrates vive e governa para o efeito (para a representação) e não tem consciência das responsabilidades que lhe cabem. Numa altura em que os portugueses, em geral, passam tantas dificuldades, o primeiro-ministro esbanja os recursos do país nestas encenações merdosas que nenhuma mais-valia acrescentam à governação e que, no plano simbólico, ridicularizam os apelos ao rigor do pobre ministro das Finanças. Sócrates é tão vaidoso e tão pouco inteligente que nem se dá conta de que estas encenações de opereta fragilizam, de morte, o governo a que ainda preside. Lembrai-vos do Titanic? Lembrai-vos, pelo menos, de Santana Lopes?...

Lembrai-vos dos últimos tempos de Santana Lopes como primeiro-ministro e das infantilidades que, em desespero, ele dizia? Pois Sócrates não lhe fica atrás. A criatura ainda não percebeu que é um cadáver político adiado e que já quase ninguém, no país, o leva a sério e o respeita. Ele continua, porém, a iludir-se, é o costume, com as palmas dos figurantes e dos figurões. E será o último a perceber que esgotou o prazo de validade e, no plaino abandonado, como o menino de Pessoa, jaz morto e arrefece...


João de Deus, in Antologia da Poesia Portuguesa Erótica e Satírica (selecção de Natália Correia)
Se quisesse fazer-te uma confidência
em forma ainda de ensaio
dir-te-ia que já só saio à rua
digo de mim
com as palavras pela trela
falta-me inspiração para correr
atrás das palavras velozes
já reparaste por certo
que quase não uso maquilhagem
sirvo-me no osso
e assim me adio na putrefacção
todos os poetas que morrem
apodrecem mais depressa
nas tatuagens da literatura.
Ademar
06.02.2010

Tomás Borba & Fernando Lopes Graça, Dicionário de Música

i, 06.02.2010

A notícia está aqui. Sem comentários, porque o boxe não é a minha especialidade...


Correio da Manhã-Vidas, 06.02.2010

Correio da Manhã-Vidas, 06.02.2010
Caro leitor
Obrigado por me consultar e por partilhar com os leitores deste blogue o seu problema.
O sexo, como sabe, é uma bestialidade hormonal. E só a necessidade de propagação da espécie o justifica, entre os humanos. Cumprida essa básica utilidade, acabou-se. A sua mulher está no lado certo da cama; o leitor, não. Lamento dizer-lhe que o problema que o aflige só tem uma solução, uma única solução: a castração. Se, ainda assim, não for suficiente, poderá recorrer, posteriormente, a um adequado tratamento hormonal. Verá que, depois, tudo se comporá e a sua mulher poderá, finalmente, fora de casa, ter uma vida sexual satisfatória. Bem merece, coitada!...
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Público, 06.02.2010
Com artigos como este, a minha irmã tem o inferno garantido. Lá nos encontraremos!...


Correio da Manhã-Vidas, 06.02.2010




Gregório de Matos, in Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica (selecção de Natália Correia)

Proclama-se um esteta em matéria de mulheres e cita Vinicius ("as feias que me perdoem, mas a beleza é fundamental"). Confessa que não sabe (nem tem inclinação para) cozinhar, mas horroriza-o a desigualdade entre os cônjuges, com o homem a mandar e a mulher a obedecer. Por isso, reclama-se afoitamente do paradigma da "nova família democrática", baseada na igualdade entre géneros (supõe-se também que na cozinha...) e no respeito pelos direitos das crianças. Diz-se cristão, mas não católico, afirmando-se tocado por "uma religiosidade muito própria". Informa que raramente vai ao futebol, mas adianta patrioticamente que não perde um jogo da selecção e sofre pelo Benfica. Em matéria de comportamentos, diz-se "muito liberal, muito liberal", mas não tem ainda opinião formada sobre a adopção de crianças por casais homossexuais, porque ainda não estudou suficientemente o assunto. Perguntado se alguma vez fumou um charro na juventude, responde socraticamente que "foi um jovem do seu tempo". Presume-se que, na juventude, já era liberal, muito liberal...
Politicamente, confessa-se iluminado pelos exemplos de três "grandes combatentes políticos e grandes homens de Estado": Guterres, Mitterand e Willy Brandt. E, em crescendo de intensidade, cita de cor uma "frase extraordinária" de Bernstein ("o reino da democracia é o reino do compromisso"), para logo a seguir deixar cair a máscara do putativo conciliador, admitindo ter "um feitio pouco dado ao compromisso" e fazer sempre um "grande esforço para se inclinar para esse lado", porque, quando acha que tem razão, é "um animal feroz".
A entrevista de Sócrates ao Expresso de ontem deve ter deixado Santana e Portas (e Cinha Jardim, com eles) em estado de pânico. Vem aí, ai que medo!, um "animal feroz"!...
Dois mil anos depois, (abram alas!) a grande política vai finalmente regressar ao Coliseu...
25.Julho.2004
TAKE ONE
o regedor não recebe
lições de democracia de ninguém
nem de um amigo de infância
que já foi negreiro
TAKE TWO
o regedor tem
sobre todas as outras
uma paixão arrebatadora e ex-citante
a arquitectura
TAKE THREE
o regedor não tem mulher
nem homem
oferece o corpo inteiro
à mãezinha desvalida
que já trabalhou para fora
TAKE FOUR
o regedor fuma apenas às escondidas
como ademais em tudo o mais
TAKE FIVE
o regedor sabe de cor
quatro versos melancólicos de Cesário Verde
e dois de Vinicius
indiciariamente eróticos
com que costuma surpreender as viúvas
e os lolitos
TAKE SIX
o regedor não engraxa na baixa
porque sua dos pés
e da alma
TAKE SEVEN
o regedor tem um pacto secreto
com o colesterol
e os paparazzi
TAKE EIGHT
o regedor não dobra a língua
em nenhuma que seja de usar
TAKE NINE
o regedor adora a posição de joelhos
e não apenas para encrespar
TAKE TEN
o regedor sofre de azias
quando a próstata não lhe aperta
no carácter.
Ademar
05.02.2010

Tomás Borba & Fernando Lopes Graça, Dicionário de Música

24horas, 05.02.2010
Eu, se estivesse morto, e ainda assim me convocassem para participar num programa de televisão... garanto que diria tudo o que, em vida, tive vontade de dizer e silenciei. A consciência da inimputabilidade solta todas as línguas, até as dos mortos...


No debate (em comissão e no plenário) do projecto de lei das finanças regionais, foram estes os deputados do PS que mais deram a cara e se distinguiram: Francisco Assis, líder da bancada; Narciso Rodrigues e Afonso Candal (vice-presidentes); e Vítor Baptista (deputado por Coimbra). É difícil imaginar um conjunto de parlamentares mais irritante: falam todos mais depressa do que pensam, dizendo as coisas mais extraordinárias, e pensando sempre, provavelmente, que peroram para uma assembleia e um país de idiotas. Ouço-os e pergunto a mim mesmo se o PS não é mais do que isto. Que pobreza franciscana, mascarada de tanta soberba!...




(...)
i, 05.02.2010

Sol, 05.02.2010
José António Saraiva escreve hoje no Sol que Sócrates tem "um problema de carácter" e não é digno do cargo que exerce. Há mais de quatro anos que eu o digo e assino por baixo...
Sócrates, como primeiro-ministro, é uma versão pacóvia e trauliteira de Pedro Santana Lopes, que o precedeu no cargo...


i, 04.02.2010

Eis um argumento eleitoral que não está ao alcance de todos e de todas. Desconfio que esta "feminista" colombiana já pode considerar garantida a eleição! Como diria Winston Churchill, a democracia mediática é o pior de todos os sistemas, exceptuando, naturalmente, todos os outros...


Eça de Queiroz, Uma Campanha Alegre
Veremos, hoje, de que massa são feitos os deputados da nação, digo, da oposição!...

Manoel de Barros, Ensaios Fotográficos
Se houvesse um lugar possível
onde as palavras ainda se amassem sem protecção
seria aí que eu te esperaria
talvez entre ruínas
ou entre pântanos de metáforas
para que os pés não firmassem
promessas de eternidades
magras as biografias
que apenas as palavras suportam.
Ademar
04.02.2010

Quem duvida que ficaríamos a ganhar?...

Tomás Borba & Fernando Lopes Graça, Dicionário de Música


Sábado, 04.02.2010
Eis uma observação destituída de sentido. Sócrates, evidentemente, não perdeu, pelo facto de ser primeiro-ministro, o direito de falar, publicamente, em voz alta e dizer tudo aquilo que lhe passe pela cabeça. O que sucede é que, como qualquer cidadão, terá de responder pelo que diga, quando o que diga (e seja testemunhado) ofenda terceiros. Se eu, num restaurante, injuriar ou difamar o primeiro-ministro, muito provavelmente, sofrerei as consequências, se houver testemunhas credíveis que, em tribunal, deponham contra mim. Sócrates, neste particular, não tem mais, nem menos direitos do que eu. Se me injuriar ou difamar publicamente e a injúria ou a difamação for testemunhada... eu apresentarei queixa e exigirei que ele seja pronunciado pelo crime de injúria ou de difamação. É tão simples como isto. O editorialista da Sábado não tem razão...



Correio da Manhã, 03.02.2010

Correio da Manhã, 03.02.2010
A reportagem fotográfica oficial do evento, que reproduzo em baixo e pode ser revisitada aqui, não deixa margem para dúvidas: Sócrates não almoçou com mulheres (isto é, com gajas), mas com "personalidades femininas de diversas áreas". E Nereida, ao contrário do que, subliminarmente, sugere o CM, não comeu em S.Bento, ainda que se deva admitir que se trata também de uma "personalidade feminina". Falta apenas saber quando Sócrates jantará com "personalidades masculinas"...





Fotos de Ricardo Oliveira - GPM.

i, 03.02.2010
Não conheço a criatura, nem quero conhecer. Sócrates é, para mim, um condensado de quase tudo o que detesto na humanidade. A pompa, por exemplo, com que ele, vaidosamente, invoca sempre a autoridade dos "poetas" é suficiente para eu o colocar, politicamente, no patamar dos portugueses irrespeitáveis. Que Mário Crespo considere que ele, quando ergue ou engrossa a voz, é intimidante... só me pode conduzir à gargalhada. Sócrates intimidante? Sócrates não passa de um pobre diabo, que carrega um espelho que já não o suporta. Lisboa, de facto, deverá mesmo ser muito estreita!...

Al Berto, O Medo
Mais do que tudo
é a maldade que me dói
entendo a humanidade
na ignorância
na estupidez
na ambição
na hipocrisia
entendo a humanidade
na loucura
em todas as suas formas
entendo até
a cobardia
a fraqueza
a inveja
e a vaidade
mas mais do que tudo
é a maldade que me dói
essa vontade selvagem
de matar os outros pelas costas
impunemente.
Ademar
03.02.2010



Tomás Borba & Fernando Lopes Graça, Dicionário de Música


DN, 31.01.2010



i, 02.02.2010
O diário do "grande orador" garante que Alberoni "escreve à terça-feira", ou seja, no mesmo dia em que o leio. É assim também que a grande imprensa vai mudando as "relações amorosas"...

Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa




Na cerimonia inaugural de ontem no Porto, foi incluída entre os discursos oficiais uma oração por um capelão das Forças Armadas. Tendo em conta que uma das grandes conquistas da República foi separação entre o Estado e a religião, o mínimo que se pode dizer é que se tratou de uma iniciativa despropositada e de mau gosto.
Na mesma cerimónia inaugural as entidades oficiais que iam chegando eram publicamente anunciadas pelas suas qualificações académicas ("dr.", "prof. doutor", etc.).
Revertendo ao espírito original da igualdade republicana, por que não aproveitar o Centenário para abolir de novo e definitivamente tais formas de tratamento do discurso e dos documentos oficiais?


Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa


Carlos Poças Falcão, O número perfeito
Movimentam-se na tela
como num palco maravilhoso
que só as nuvens adivinhassem
caminham dançam esvoaçam
entram e saem da tela
como de uma imagem em que nunca coubessem
e escrevem em todas as línguas
no regresso de todas as viagens
as mulheres a que me abandono
têm uma tela dentro delas
e são ainda mais perfeitas
do que o mistério que as conduz.
Ademar
02.02.2010

Tomás Borba & Fernando Lopes Graça, Dicionário de Música

Público, 02.02.2010

Cesário Verde, O Livro de Cesário Verde