Informação...
Alguns amigos, estranhando o silêncio, perguntam-me se morri. Não tenho passado bem, mas não morrri. Espero ressuscitar...
A todos, agradeço a preocupação...
Alguns amigos, estranhando o silêncio, perguntam-me se morri. Não tenho passado bem, mas não morrri. Espero ressuscitar...
A todos, agradeço a preocupação...

Sábado, 20.05.2010

Sábado, 20.05.2010
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Alexandre O'Neill, Anos 70- Poemas Dispersos
1. Desmarquei todas as consultas
para não saber a data precisa da minha morte
2. e para não ter de renovar
o guarda-roupa
3. a cor das paredes ficou fantástica
não fora a cegueira das mãos
4. os manuais escolares os jornais e
as revistas velhas não couberam no papelão
5. as estantes da sala não celebraram ainda
o milagre da ressurreição
6. os brinquedos do quarto do espelho
continuam à espera de pilhas novas
7. as velas deixaram de contar
o fogo que as silenciou
8. e as flores que entretanto murcharam
também.
Ademar
20.05.2010
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Tomás Borba & Fernando Lopes Graça, Dicionário de Música
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DN, 20.05.2010

DN, 20.05.2010
A gente já tinha percebido, mas ainda bem que, ao contrário de muitos outros no PS, Jorge Coelho, o Mourinho da Mota-Engil, o confirma...

DN, 20.05.2010
Já imaginaram os ganhos de produção (não digo de produtividade) se passássemos a ter anos de 416 dias? Deixo aqui, humildemente, a minha proposta. Pela pátria, como Sócrates, faço tudo...


Sábado, 20.05.2010


DN, 19.05.2010


É um testemunho impressionante de Scorsese sobre o grande cinema italiano do pós-guerra. Uma magnífica lição, que recomendo a todos os amantes da sétima arte...

Alberto de Lacerda, in POEZZ - JAZZ NA POESIA EM LÍNGUA PORTUGUESA (organização de José Duarte e Ricardo António Alves)
Se renascesse
repetiria tudo outra vez
e acompanhar-me-ia ao piano
sem partitura
que já me saberia de ouvido
ou de cor
voltaria por exemplo a escrever sonetos
quase perfeitos
para a Deolinda
que virginava entre as capelas da Sé
e para a Sameiro
de quem guardo ainda uma fotografia
naturalista
a preto e branco
e para a Conceição
que me acompanhava sempre em silêncio
ou em latim
se calhar já morreram
ou continuam ainda a ler-me em segredo
já sexagenárias
se renascesse
repetiria tudo outra vez
e acompanhar-me-ia ao piano
sem partitura
que já me saberia de ouvido
ou de cor
e regressaria sempre
à lenta memória das teclas
e dos dedos
que tocaram todas as palavras.
Ademar
19.05.2010

Tomás Borba & Fernando Lopes Graça, Dicionário de Música




Correio da Manhã, 19.05.2010

Público, 19.05.2010
Ah! percebi finalmente! Foi o ataque especulativo à dívida soberana da Grécia que mudou o mundo (não sei ainda se há uma semana, há duas ou há três). É caso para dizer, lembrando a final do Euro 2004, que sempre que joga com a Grécia, Portugal perde. E estávamos de tão boa saúde (não estávamos?) antes do ataque dos especuladores...


Ainda não recuperei do que ouvi ontem a Sócrates, que o mundo mudou na última semana, ou talvez nas duas últimas, ou talvez nas três (partilho, nesta matéria, a angústia da Ana Cristina Leonardo). E eu, repito, não dei por nada. Maldito vulcão!...



Manoel de Barros, Compêndio para uso dos pássaros
Hoje morreram em Portugal
até às vinte e três horas
contei-as uma a uma
duzentas e oitenta pessoas
e nasceram
duzentas e setenta e duas
tenho uma hora
uma hora apenas
para inverter o contador da demografia
e suster o défice
pela pátria
como o primeiro-ministro
faço tudo.
Ademar
18.05.2010

É sempre isto: quando deixo de ler o Finantial Times, as mudanças no mundo escapam-me. Felizmente, Portugal é muito previsível. E Sócrates também...


Tomás Borba & Fernando Lopes Graça, Dicionário de Música






Diário da República, 2ª Série, 18.05.2010
Treze despachos, publicados hoje, dia 18 de Maio de 2010. Todos datados de 30 de Abril e produzindo efeitos a 26 de Outubro de 2009. Repare-se que alguns dos nomeados são requisitados a empresas privadas, uma delas, a Deloitte, conhecida empresa de auditoria. Confesso que ignorava que o Governo podia requisitar trabalhadores a empresas privadas. Como também ignorava que a Presidência do Conselho de Ministros não tivesse, no seu quadro de pessoal, motoristas. Ou será que os doze agora nomeados acrescem aos do quadro? Sendo assim, quantos motoristas, no total, terá o primeiro-ministro ao seu serviço? Vinte? Trinta? Quarenta? Cinquenta? Não me poderá ceder um?...
Seja como for, estes despachos comprovam algo que, há muito, se sabia: as mulheres, em Portugal, não se recomendam a motoristas. Pelo menos, de José Sócrates...

Correio da Manhã, 18.05.2010
Tenho, pessoal e politicamente, o maior apreço pelo Miguel. E a certeza de que não será um cancro a ajoelhá-lo!...
(...)


(...)
Em 1965, recém-licenciado em Direito, morria de amores por Salazar. Em 1969, quatro anos depois, Marcello Caetano chamou-o para o governo. O 25 de Abril apeou-o da manjedoura. Fez o luto que o decoro impunha, mas rapidamente se converteu à democracia. E, pouco tempo depois, regressava discretamente à manjedoura. Em dez anos, passou do salazarismo para o marcelismo e do marcelismo para a democracia-cristã. São estes os portugueses que, sentados quase sempre à mesa do orçamento e acumulando reformas, nos conduzem alegremente na senda do défice e que, de vez em quando, nos impõem, pela pátria, sacrifícios. Reconheceis o autor deste panegírico a Salazar? Claro que não reconheceis...


(...)

Correio da Manhã, 18.05.2010
Eis a direita católica e ultramontana na sua mais antiga e repelente e absurda expressão. Os homosssexuais (sobretudo os que querem casar e não procriaram) são um peso para a sociedade, digo, para os contribuintes. Os deficientes, também. E os padres e as freiras. E todos aqueles, afinal, que não concorrem para a propagação da espécie. Se esta gaja (para não lhe chamar outra coisa) pertence mesmo à espécie humana... eu quero ser marciano...

Expresso, 15.05.2010
Vital Moreira tem razão, mas não apenas por razões financeiras. É, politicamente, intolerável que seja o próprio legislador a dar o exemplo de incumprimento das leis que aprova ou consente...


Três anos depois, seria a desgraça, a todo o vapor. E Portugal nunca mais recuperaria, nem com Cavaco ao leme, o timoneiro de Boliqueime...

Jorge Sousa Braga, O Poeta Nu (Poesia Reunida)
O universo
tem muita gente
que anda à procura
de uma casa
em que caiba
e nunca encontra
pelo menos
no tempo de uma vida
os gatos
ao invés
têm muitas vidas
e nunca desistem
pelo menos
antes da última.
Ademar
17.05.2010

Tomás Borba & Fernando Lopes Graça, Dicionário de Música

Correio da Manhã, 17.05.2010
Há jornais que se alimentam, diariamente, da canalhice...

Correio da Manhã, 17.05.2010




Playboy-Portugal, Maio.2010
Há muitos anos que não passava os olhos pela Playboy e pelos frescos da Capela Sistina. Compreendo agora melhor a sábia observação do nosso rei putativo: imagens como estas são, evidentemente, um convite à fornicação. Os Papas que o digam...


Gilles Néret, Miguel Ângelo

Pública, 16.05.2010
Já não é a primeira vez que isto acontece. Os critérios de pontuação do Público são quase tão insondáveis como os desígnios do Senhor...


Público, 16.05.2010
Pobre advérbio de lugar, que tantos, hoje, prostituem!... "Duas graves crises onde"? Onde? Jorge Jesus não diria pior...

Nuno Júdice, Obra Poética (1972-1985)


Tomás Borba & Fernando Lopes Graça, Dicionário de Música

Correio da Manhã-Vidas, 15.05.2010

Expresso-Única, 15.05.2010

Ele há... coincidências! Não tenho aqui, de momento, o exemplar da revista do Expresso de 24 de Julho de 2004, em que Sócrates, também numa longa entrevista, se dizia um "animal feroz". Mas quase poderia jurar que a entrevista era ilustrada com, pelo menos, uma fotografia de Sócrates também sentado num banco de jardim (espero que não fosse o mesmo banco em que se senta agora Seguro). Se a memória não me trai, faltava à fotografia de Sócrates como Forrest Gump a assinatura da sombra, que agora pode ser vista na fotografia de Seguro. Como os políticos portugueses, quando se prestam à pose, são tão primários e tacanhos!...


(...)

(...)
Expresso-Única, 15.05.2010
O Expresso dedica-lhe a capa da Revista e oito páginas. Sucede que António José Seguro, no seu registo parlamentar de interesses, declara que é "colaborador do Jornal Expresso" e da SIC. A entrevista publicada, promocional, deverá provavelmente fazer parte da avença. Mas repare-se mais: António José Seguro também declara, no seu registo de interesses, que tem como actividade principal... a docência universitária. Mais: informa que dá aulas "na Universidade Autónoma de Lisboa, no Instituto Superior de Comunicação Empresarial e num curso de pós-graduação no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas". É obra! Dá aulas em três escolas do ensino superior e ainda consegue ser... deputado. Mais: é deputado por Braga e mora nas Caldas da Rainha. Este rapaz, que tanto abomina a "desonestidade e a mentira", tem futuro!...

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Expresso, 15.05.2010
Nunca nos cruzámos na mesma família partidária, mas, sobre todas as divergências, posso dizer que foi uma honra partilhar o país com ele. Até sempre, Saldanha Sanches!...

Correio da Manhã-Vidas, 15.05.2010

in POEZZ-JAZZ NA POESIA EM LÍNGUA PORTUGUESA (organização de José Duarte e Ricardo António Alves)
Tanto ou tão breve destino
entre as minhas palavras
e o teu olhar tão fiel
é aqui
todas as noites
neste bar de desterrados
que nos cruzamos
e por nenhuma porta
entramos ou saímos
entre comungarmos
o arbítrio das sombras
numa tela com a forma
de uma cama
ou de uma mesa
sobre a qual sempre adormecêssemos
antes mesmo de nos cuidarmos
a poesia tem as fronteiras exactas
deste silêncio compartilhado
encontramo-nos aqui
como em tempo algum
e seremos sempre felizes
assim.
Ademar
15.05.2010






Público, 15.05.2010

Tomás Borba & Fernando Lopes Graça, Dicionário de Música